Como o amor salvou minha vida | Por: Karine Lemos

06/10/2017

Tudo começou em uma consulta ginecológica de rotina em 2011 quando minha ginecologista sentiu um nódulo na minha mama esquerda. Ela pediu uma USG (ultra-sonografia) e pediu para eu falar com um mastologista. Como eu havia feito um procedimento cirúrgico traumático e eu nem conseguia apalpar o nódulo, fiquei quieta.

Em 2013, o nódulo havia crescido muito e dependendo de como eu mexia, dava para vê-lo sob a pele, além de ser muito dolorido. Resolvi procurar um mastologista que, novamente, pediu exames para análise. De acordo com os exames, ele me assegurou que o nódulo era benigno e disse também que câncer não doía, o que me deixou tranquila porque o caroço doía muito. Marcamos a cirurgia para retirada dos nódulos (havia alguns na mama direita também), correu tudo bem e ficamos aguardando o resultado da biópsia. No dia de pegar o resultado, tínhamos combinado de sair para comemorar com nosso filho, então com 8 anos.

Eu desci na porta do laboratório, e eles ficaram me esperando no carro, era uma sexta-feira. 
Na maior felicidade, abri o exame e comecei a ler o laudo. Quando terminei de ler, entreguei o exame para o meu marido e mordia meus punhos para não gritar, chorando em silêncio para não assustar nosso filho.
Quando consegui olhar para o meu marido, ele estava branco e atordoado. Fomos para casa sem dizer uma palavra, dava para tocar o medo. Eu estava com 37 anos.

“Era como se eu tivesse recebido
a visita da morte.”

 

Quando chegamos em casa, eu desabei. Era como se eu tivesse recebido a visita da morte. Meu retorno seria na próxima terça, então, eu passei 4 noites e 3 dias chorando e meu marido foi para a internet pesquisar. No fundo, eu sabia que ele queria qualquer coisa que não fosse aquela realidade. Chegado o dia do retorno, eu tentei me recompor na esperança de ouvir qualquer coisa, menos o que estava por vir.

Meu mastologista abriu o exame e a medida que ia lendo, sua fisionomia mudava. Então, ele colocou o resultado na mesa, me olhou nos olhos e deu o veredito: você está com câncer! Acho que foi nesse momento, naquele dia, naquela sala, que meu mundo acabou e eu morri. Não consegui ouvir mais nada. Caí num buraco fundo e escuro. Eu olhava para os lados tentando me agarrar em qualquer coisa enquanto via a boca do médico e a do meu marido se mexerem, mas eu não ouvia nada.

Quando finalmente saímos de lá, meu marido foi me contar o que o médico havia dito. Era um tumor raro, um caso a cada 10 anos, e nesse ano eu havia sido “sorteada”. Num primeiro momento, a única certeza era de que esse tumor tinha alta reincidência e que eu teria que fazer mastectomia (que é a excisão ou remoção total da mama), quimioterapia e o pacote completo. O mastologista chegou a dizer que não sabia como tratar o meu caso. Me indicou um oncologista e os dois depois decidiram o que iriam fazer.

 

“[…] não era justo eu jogar essa bomba
sobre as pessoas que eu amava. “

 

Eu havia dito ao meu marido que não iria contar nada para nenhum amigo e familiares porque não era justo eu jogar essa bomba sobre as pessoas que eu amava. Ele me disse que se essas pessoas me amassem, elas iriam me ajudar a vencer.

Muito relutante eu contei e depois escancarei no meu Facebook. Posso dizer que foi a pior época da minha vida, mas também foi a melhor. Recebi tanto carinho, boa energia e amor na forma mais genuína. Todas as religiões estavam pedindo a Deus por minha vida e saúde.

Meu maior medo era de encarar o meu marido, porque eu temia que ele me deixasse. Então me abri com ele e o que eu ouvi, me salvou. Ele me disse que não havia se casado com meus seios e que o meu cabelo ia crescer novamente. Eu olhei pra ele como que pela primeira vez. E vi ali na minha frente o homem que eu sempre sonhei. Digo isso, porque participei de uma sessão de terapia com outras mulheres e descobri que nem todos os parceiros foram homens de verdade. Mas eu estava entre as sortudas de ter um companheiro de batalha.

Em menos de 3 meses, fiz duas cirurgias. O oncologista junto com o mastologista, decidiram retirar um quadrante da mama, o “leito” do nódulo, aumentaram a margem de segurança e ao invés de tirar somente o linfonodo sentinela, retiraram dois. Iam mandar tudo para exame e se continuasse a dar positivo, iriam fazer a mastectomia. Graças à Deus, o resultado foi negativo. Fiquei com uma mama reduzida e cheia de cicatrizes.

 

“[…] meu marido entrou em ação.”

 

Enquanto esperava a cicatrização para o início do tratamento, meu marido entrou em ação. Saíamos para passear,sempre me elogiava e nunca perdeu o desejo. Pelo contrário, foi um amante assíduo e carinhoso. Eu resumi muito, mas o mais importante é que fique claro que o apoio e amor da família, dos amigos e principalmente do seu parceiro faz toda a diferença.

 

É a nossa bússola, é luz. Ainda não saí do grupo de risco de reincidência, mas eu confio no Deus que me curou, no amor que me salvou e em todos os momentos de felicidade que vivo.

 

 

 

 

Obrigada à Equipe Palácio pela oportunidade de compartilhar minha história, espero que ajude quem estiver passando por algo parecido. O câncer não precisa ser feio e nem doer. Cabe à nós decidirmos o que fazer com ele. E se tivermos a sorte de sobreviver, que saibamos ser gratas cada minuto de todos os dias.


Nós que agradecemos você Karine. ❤ Por compartilhar com a gente sua história e por fazer parte dessa caminhada do amor. Sua história é inspiradora e representa tudo aquilo que desejamos representar como empresa e como marca: AMOR. Porque como você mesma disse, o amor salva vidas.


Sobre o câncer de mama

É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo. São 57.960 casos novos no Brasil todos os anos. Apesar da maioria dos casos acontecer após os 50 anos, também existem casos como o da Karine, que descobriu aos 37. Por isso é tão importante fazer exames preventivos, já que as chances de cura são maiores no estágio inicial, como em todos os tipos de câncer.

Alguns fatores que podem influenciar no desenvolvimento da doença:
– obesidade e sobrepeso, especialmente após a menopausa;
– sendentarismo;
– consumo excessivo de bebidas alcóolicas;
– exposição à radiação;
– pré-disposição genética;
– uso de anticoncepcionais;
– primeira gravidez após os 30 anos.

Hábitos saudáveis que podem ajudar:
– prática regular de atividades físicas;
– alimentação balanceada;
– amamentação.

Confira nossa ação em prol do Hospital do Câncer de Uberlândia.

❤  Tem uma história de amor inspiradora? ❤
Conta pra gente! É só enviar seu texto para o e-mail contos@palaciomotel.com.br
Sua história pode aparecer aqui no nosso blog.

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